
A Usina de Monlevade celebra, na próxima terça-feira (31), 86 anos de fundação. Neste momento, a empresa aposta em valores atuais: respeito à diversidade, meio ambiente e inclusão. A unidade vibra com o início do novo Laminador, a partir de janeiro de 2022, com capacidade de dobrar a produção.
Muros no entorno da Usina ganham “vida” e cores
Os muros do entorno da área industrial da ArcelorMittal, Usina de Monlevade, ganharam mais “vida” e cores. Em vez do cinza, cartazes e sujeira, flores, animais da fauna brasileira, mandalas e expressões humanas tomam conta do cenário. A iniciativa é da Fábrica de Graffiti, um projeto que visa humanizar espaços industriais por meio da valorização da cultura do StreetArt, além de capacitar novos artistas.
A arte trouxe mais cores para o ambiente e cotidiano dos monlevadenses, dos trabalhadores e de quem passa por ali. Além disso, os trabalhos autorais geram um circuito cultural de amplo acesso a todos e aproxima a cidade da prática da arte urbana. A ação foi patrocinada pela Fundação ArcelorMittal, através da Lei de Incentivo à Cultura.
O trecho entre o estádio Louis Ensch e a sinterização da Usina de Monlevade foi o primeiro a ser finalizado. Os trabalhos artísticos, próximo à entrada para o Social Clube, chamam a atenção pelo colorido nos cerca de 50 metros de extensão. O paredão da estação de tratamento de água, ao lado do vestiário central, também ganhou uma gigantesca empena grafitada (mural com arte de rua), medindo 18 metros de altura. Também foram grafitados os muros próximos ao laboratório metalográfico. Está prevista, para o dia 31, data de aniversário da Usina, a intervenção de alguns funcionários num dos muros.
A ação envolveu 15 artistas mineiros, reconhecidos pelos trabalhos de arte urbana: Alberto Tadeu (Tot), Barbara Daros, Bruna Ferreira Gonçalves (Pimenta), Bobylly, Daniel 'Jack' Nery, Fernando dos Santos (Fhero), Gabriella Biga, Ítalo Nanais, Kaká Chazz, Lídia Viber, Mariana Marinato, Pedro Stryper, Sâmela Moreira, Silvana Assunção (Sil) e Thiago Moska. Chama atenção a participação feminina. São oito mulheres.
Conforme A Notícia informou em primeira mão, a iniciativa celebra o centenário da operação de Aços Longos no Brasil. “No ano em que comemora-se 100 anos de operação de Aços Longos no Brasil, a empresa escolheu ofertar essa galeria de arte à céu aberto à comunidade monlevadense”, afirmou Vander Neves, gerente de RH da unidade de Monlevade. Ainda segundo Vander, a iniciativa promove a igualdade de gêneros. “A seleção dos artistas de cada edição é pautada pela equidade de gênero, ou seja, convidamos o mesmo número de mulheres e de homens para compor a curadoria artística. Essa é uma prerrogativa da ArcelorMittal, desde 2018, em função de sua Política de Diversidade e Inclusão”, destaca Neves.
Graffiti na cidade
Depois do novo colorido da área externa da ArcelorMittal Monlevade, a Praça do Povo e a Fundação Casa de Cultura recebem os artistas em seus espaços. Nestes locais, os alunos do curso de graffiti oferecido pela Fundação também estarão presentes. A atividade conta com mais de 60 participantes. Segundo os organizadores, eles vão aprender as técnicas usadas pelos artistas profissionais e serão divididos em grupos para facilitar o trabalho.








Segundo a siderúrgica, o equipamento tem capacidade para a produção de 1 milhão de toneladas de aços longos por ano
Os 86 anos da Usina de Monlevade estão marcados pelo anúncio do início das atividades do laminador 3, a partir de janeiro do ano que vem. O equipamento está pronto desde 2015, mas não entrou em operação. Agora, as novas demandas do mercado e a perspectiva de crescimento fizeram a empresa repensar o início da produção de forma gradual.
Segundo a companhia, o laminador de Monlevade tem capacidade para a produção de 1 milhão de toneladas de aços longos por ano. Enquanto isso, os laminadores 1 e 2 prosseguirão no desenvolvimento de aços especiais da unidade. Juntos, eles produzem 1,2 milhão de toneladas.
Com o novo equipamento, a perspectiva, segundo a empresa, é de cerca de 125 novas contratações. As oportunidades disponíveis estão divulgadas no site da empresa.
Investimentos
A iniciativa reforça a importância da usina para os negócios da operação no Brasil.
Os recursos somam R$580 milhões, considerando os investimentos para implantação do equipamento e para o seu acionamento. Desse montante, mais de 90% do investimento foi desembolsado na implantação do equipamento em 2015. Os outros 10% são para o acionamento do equipamento.
Para a ativação do laminador 3, a empresa alega que aguardava as melhorias nas condições de mercado. Segundo os gestores, o laminador vai garantir o pleno atendimento aos clientes. A forte demanda por aço, especialmente no avanço da construção civil, e os indicadores econômicos possibilitaram a operação do equipamento.
Anúncio comemorado
O Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmon-Metal), a Prefeitura e a Câmara de João Monlevade celebraram a abertura, enfatizando que o novo trem de laminação contribui para o desenvolvimento do município.
O gerente da Aciaria da Usina, Alin Júnior Machado Chaves, participou de uma reunião com o prefeito, Laércio Ribeiro (PT), com o vice-prefeito e secretário de Planejamento, Fabrício Lopes (Avante), o gerente de Recursos Humanos da ArcelorMittal Monlevade, Vander Ferraz Neves, e o analista de comunicação Lucas Vilela. Neves e Vilela também participaram de outra reunião virtual com o presidente da Câmara Municipal, Gustavo Maciel (Podemos), e os vereadores Fernando Linhares (Democratas), Pastor Lieberth (Democratas) e Revetrie Teixeira (MDB) para dar a notícia da operação do equipamento.
O prefeito Laércio Ribeiro disse que a inauguração vai gerar novos empregos e aquecer a economia local. 'Esta notícia nos traz muita esperança neste momento tão difícil, por conta da pandemia, que tirou tantos empregos em nossa cidade', explica. Já Fabrício Lopes ressalta que 'este é um momento único e de grande importância para João Monlevade e região'. O Sindmon-Metal também comemorou o anúncio, dizendo se tratar de 'uma vitória dos trabalhadores, que têm garantidas a produtividade e a qualidade desta Usina'.

Divulgação
Novo Laminador entra em operação em janeiro de 2022
Em 2008, a ArcelorMittal anunciou investimento de US$ 1,2 bilhão na obra de duplicação da usina de João Monlevade. A siderúrgica pretendia ampliar a produção de aço bruto em um projeto que incluía a construção de uma nova sinterização; um novo alto-forno (para dobrar a produção atual de gusa) e de uma terceira linha de laminação para duplicar o volume de produção de fio-máquina para 2,3 milhões de toneladas/ano.
A estimativa à época era também duplicar a capacidade de produção da aciaria, que atingiria 2,4 milhões de toneladas/ano de tarugos quando entrasse em operação. A expectativa era de que, no pico dos trabalhos, as obras empregassem até 6 mil pessoas. A expansão, porém, foi suspensa com a eclosão da crise financeira mundial no último trimestre de 2008 e realizadas apenas obras civis de preparação para duplicação.
A Usina de Monlevade era originalmente um projeto da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (Belgo) que surgiu a partir da aquisição da Companhia Siderúrgica Mineira pelo grupo belgo-luxemburguês ARBED (Aciéries Réunies de Burbach-Eich- Dudelange) em 1921.
O engenheiro luxemburguês Gaston Barbanson foi personagem fundamental para que a Usina ficasse em Monlevade. Os belgas queriam que a Usina fosse montada em Ouro Preto. Ele considerou que “nas terras do velho Monlevade”, o negócio seria promissor e, ainda em 1920, toda a área ao redor do Solar Monlevade foi adquirida pelo próprio Barbanson, incluindo as ruínas da antiga fábrica de ferro e a mina do Andrade, pertencente a Jean Monlevade.
Em 1935, sob comando do engenheiro Louis Ensch, por solicitação de Barbanson, a Belgo iniciou a construção da moderna siderúrgica. Ensch viera de Luxemburgo em 1927 para organizar a Usina de Sabará.
A nova planta industrial em João Monlevade começou a operar em 1937 e se tornou, por suas características técnicas, a maior usina siderúrgica a carvão vegetal do mundo, a par de alto padrão técnico, sólida estrutura econômico-financeira e elevado índice de produtividade. Na década de 1940, produziu quase a metade do aço brasileiro.
Paralelamente ao desenvolvimento da siderúrgica, Louis Ensch empreendeu considerável obra social destinada aos trabalhadores, contemplando a construção de vilas operárias, hospitais, escolas, postos de abastecimento e clubes desportivos nas localidades de atuação da Companhia.
Nas décadas de 1950 e 60, a fábrica de Monlevade modernizou e expandiu sua produção, adotando o recém-inventado processo Linz – Donawitz de produção de aço com oxigênio básico e instalando uma usina de acabamento Morgan para a produção de fio-máquina.
Em 2000, a Belgo substituiu os cinco altos-fornos a carvão vegetal da planta de Monlevade por um único forno a coque de grande capacidade, permitindo que a planta aumentasse sua produção de ferro-gusa em 30%.
Em 2002, a Belgo passou a fazer parte do grupo Arcelor após a fusão da ARBED com a francesa Usinor e a siderúrgica espanhola Aceralia. Uma nova fusão entre a Arcelor e a empresa indiana Mittal resultou na criação da gigante global do aço ArcelorMittal, em 2006, com a planta da Belgo mudando seu nome para ArcelorMittal Monlevade
Fontes: Antônio José Polanczyk. «Ensch e a Belgo Mineira». 3i Editora.


Em 2021, celebra-se o centenário da produção de aços longos no Brasil. Esse produto é fundamental para o desenvolvimento de importante setor da economia e também para o dia a dia das pessoas. E a Usina de Monlevade, que completa 86 anos na próxima terça-feira (31), produz um dos mais especiais aços do mundo.
Todos os dias, carretas e carretas carregando fio-máquina deixam a Usina de Monlevade da ArcelorMittal. No entanto, quem vê as enormes bobinas talvez não imagine a aplicação delas no cotidiano. A verdade é que o aço monlevadense é matéria-prima para diversos itens indispensáveis à rotina moderna.
O fio-máquina fabricado pela ArcelorMittal Monlevade é especial porque é versátil e atende exatamente à demanda dos clientes. Ele é usado, por exemplo na indústria, para fabricar a lã de aço usada na limpeza de louças e panelas; clipes de papel, os arames de cadernos e os grampos de cabelo também são produzidos com o aço monlevadense, assim como pregos, parafusos e eletrodos de solda usados na construção civil.
Os pneus dos carros são construídos sobre estruturas de aço cuja matéria-prima provém de João Monlevade. Também provêm da Usina, o produto-base para arame farpado que cerca as propriedades, os amortecedores veiculares e as grades que ficam atrás das geladeiras. Até máquinas colheitadeiras, usadas na agricultura, são produzidas através do aço da ArcelorMittal.
Em média, 80% da produção da fábrica de Monlevade fica no mercado nacional, enquanto 20% é exportada. A unidade pode entregar até 1,26 milhão de toneladas anuais de fio-máquina, que pode ser de baixo, médio ou alto teor de carbono e baixa liga. A ArcelorMittal Aços Longos foi a primeira a receber o Rótulo Ecológico da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na fabricação das estruturas metálicas dos pneus radiais, pela qual responde por 100% do mercado nacional.
O monlevadense Herik Pires Marques assumiu, em janeiro deste ano, o cargo de diretor-superintendente da Fundação ArcelorMittal. Segundo a empresa, ele segue à frente dos projetos empreendidos nas áreas de cultura, educação, esporte e promoção social. “Desde minha atuação na área de RH tenho um carinho especial pelos projetos sociais. Estou muito feliz com o novo desafio frente à Fundação, e a possibilidade de realizar iniciativas tão transformadoras no nosso município! Seguiremos a parceria, sempre atentos às demandas locais, buscando oferecer projetos inovadores e que contribuem para o desenvolvimento da nossa cidade”, afirmou.
Formado em Psicologia pela PUC Minas, Herik tem especializações em Gestão de Negócios e Gestão de Pessoas (FGV-MG) e Gestão de Projetos (IETEC). Herik ingressou no Grupo ArcelorMittal em 2004, na área de Recursos Humanos e Qualidade, em Sabará. Em 2010, foi transferido para o RH de Cariacica, onde atuou nos processos de administração de pessoal, relações trabalhistas, remuneração e benefícios. Em 2018, assumiu como gerente de Recursos Humanos BP em Piracicaba e Sitrel/MS. No mesmo ano, foi transferido para a ArcelorMittal no Sul Fluminense, e desde 2019 atuava como gerente geral de Pessoas BP Industrial, BioFlorestas e Mina do Andrade.
A ArcelorMittal promoveu, pelo segundo ano consecutivo, a campanha “Aço salva vidas'. A ação, que em 2020 destinou recursos para o Hospital Margarida, neste ano, voltou-se para o auxílio de instituições sociais no combate à fome. A campanha incentivou a doação de recursos por colaboradores e seus familiares, bem como a rede de fornecedores, clientes, parceiros, e também a toda comunidade.
Na região, foram contempladas instituições de João Monlevade e de Bela Vista de Minas, sede da Mina do Andrade. Para cada R$1 arrecadado, a empresa doou mais R$1 até o teto de R$1,2 milhão, distribuídos aos municípios nos quais a ArcelorMittal está inserida.
Durante a campanha, Herik Marques, diretor-superintendente da Fundação ArcelorMittal, afirmou que o momento exigia que todos os setores da sociedade se unissem e que cada agente oferecesse o que tem de maior potencial. 'Nós entendemos que, além dos investimentos que temos feito desde o início da pandemia, podemos ser uma ponte entre quem tem condições de doar-influenciando pessoas, parceiros e outras empresas - e instituições que já fazem um trabalho essencial e precisam que essa rede de apoio se fortaleça', explicou.
Para o gerente de Pessoas da ArcelorMittal Monlevade, Vander Neves, a campanha reforça o compromisso da empresa em contribuir com a sociedade. “Desde o início da pandemia temos feito um trabalho de apoio à comunidade. Foi assim com o Hospital Margarida no início da pandemia e agora contribuindo para amenizar a situação da fome no nosso município. O mais importante dessa campanha é que ela desperta o sentimento de solidariedade em toda a sociedade. A empresa faz a doação dela, mas estimula que outras pessoas, empresas, entidades possam fazer também. Agradecemos a todos que participaram e que nos ajudaram a promover a campanha”, disse.

Inciativa realizada em Monlevade é patrocinada pela Fundação ArcelorMittal
João Monlevade recebeu, em 2020, o Projeto Moradores - A Humanidade do Patrimônio, que resgata para o público histórias contadas por cidadãos da cidade e valoriza a memória e a história das pessoas, como o maior patrimônio que um território pode ter. O projeto celebrou os 85 anos da Usina.
Nesta primeira edição, foram escolhidos 12 moradores para dividir suas histórias, percepções e sentimentos sobre a cidade. A ação de ocupação do espaço público pelas Artes Integradas (Fotografia, Audiovisual e Educação Patrimonial) valoriza a memória da cidade a partir de vivências e olhares distintos.
Criado em 2012, o projeto está em sua 22ª etapa e tem patrocínio da ArcelorMittal e da Fundação ArcelorMittal, via Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. Através da iniciativa, o Projeto convidou 12 moradores de João Monlevade para contarem suas histórias e transformá-las em filme.
A produção ocorreu no mês de novembro e os filmes foram exibidos nas redes sociais do Projeto Moradores e da Fundação ArcelorMittal). Os vídeos podem ser conferidos acessando o QR Code.

O projeto
A iniciativa é realizada em parceria com a produtora de vídeo Nitro, de Belo Horizonte, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. “Nosso objetivo é despertar no morador o orgulho de ser patrimônio de sua cidade. Recontar a história daquele território a partir da memória afetiva de cada um. Vivemos um momento importante de transformação, onde, infelizmente, as identidades marcantes de cada cidade brasileira estão se perdendo rapidamente. Queremos que os moradores e suas histórias sejam vistos como uma riqueza cultural de suas comunidades, assim como aprendemos a enxergar as igrejas coloniais, o casario e os monumentos naturais, por exemplo”, explica o escritor Gustavo Nolasco.
O programa Forma e Transforma, coordenado pela Fundação ArcelorMittal, tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento local e comunitário por meio da arte e da cultura. Disponibilizando projetos artísticos e culturais em comunidades com nenhum ou pouco acesso a eles, a iniciativa ainda promove ações de formação de artistas, gestores, empreendedores culturais, públicos e plateias. Em breve, a inciaitiva será desenvolvida em João Monlevade.
Conforme a Fundação, os benefícios incluem oficinas, cursos e apresentações em praças públicas para despertar o interesse do público pela arte. “O programa ativa toda a cadeia econômica e produtiva, e gera a mobilização da comunidade em torno dos produtos que são apresentados em mostras do trabalho artístico fomentado com os recursos repassados pelos editais”, explica a Fundação. Além disso, também faz parte a atuação com foco na democracia cultural, que proporciona a descentralização de recursos financeiros através de micro editais com premiação em dinheiro.
Para o seu desenvolvimento, as parceiras são com as Secretarias Municipais de Educação e Cultura e Empreendedores Culturais. O programa é viabilizado por meio das Leis Federal de Incentivo à Cultura e da Lei Estadual de Incentivo de Minas Gerais. Em entrevista ao A Notícia, o diretor-superintendente da Fundação ArcelorMittal, Herik Pires, explicou sobre um novo projeto que está em andamento e deve ser aprovado nos próximos meses. Dividido em três etapas, a iniciativa irá fazer um mapeamento dos artistas de Monlevade, preparar uma formação com uma equipe que irá ensinar profissionalização artística, e lançar um edital onde cidadãos vão poder fazer sua inscrição a partir de qualquer tipo de arte. O projeto tem duração de dois anos e vai ser finalizado com uma mostra para apresentação dos trabalhos preparados.

“Somos uma empresa pioneira na siderurgia e Monlevade faz parte dessa construção de pequenas e grandes histórias no Brasil”
Na próxima terça-feira (31), a Usina de João Monlevade completa 86 anos de fundação. A siderúrgica, ao longo dessas oito décadas, se consolidou como uma das mais importantes do mundo, dentro do grupo ArcelorMittal. Tanto que acaba de receber autorização para iniciar a produção do novo trem Laminador, construído em 2015 e que estava parado. Confira entrevista com o diretor geral da Usina de Monlevade, Fabiano Cristeli de Andrade. Ele fala sobre esse tema e aborda outros aspectos da empresa, relação com a comunidade, respeito à diversidade e inclusão, além da importância da Usina para o município e no cenário internacional. Confira:
A Usina de Monlevade chega aos 86 anos trazendo um presente: anúncio do início da operação do Novo Laminador. Como foi receber a autorização do grupo para, enfim, iniciar a produção no TL3?
Para todos nós foi uma satisfação enorme, pois concluímos a sua construção em 2015 e aguardávamos, desde então, melhores condições do mercado para colocar este equipamento em operação. Essa decisão demonstra uma confiança do grupo na Usina de Monlevade e isso nos deixa orgulhosos. O objetivo do laminador é garantir o pleno atendimento aos clientes. A forte demanda por aço, especialmente, no avanço da construção civil e os indicadores econômicos possibilitaram a operação do laminador.
A Usina terá capacidade de produzir mais 1 milhão de tonelada de laminados, praticamente, dobrando a capacidade de produção. É um novo ciclo para a unidade? Quais as perspectivas com o novo laminador?
Sim. Estamos elevando o patamar de produção de laminados da nossa Usina. É um equipamento mais moderno e que traz ganhos importantes de qualidade do fio-máquina destinado a aplicações especiais nos segmentos em que já atuamos. Apesar da capacidade, a produção se dará de forma gradual e alinhada à demanda do mercado.
Além do novo laminador, há previsão de duplicação de outros setores, como a aciaria e também o alto forno, conforme projeto original da duplicação da Usina?
Não, no momento a empresa mantém o foco no início da operação do Laminador 3.
Quais ações e processos fazem o aço de Monlevade ser considerado um dos melhores do mundo?
Podemos destacar alguns pontos que nos tornam muito competitivos em termos de produto. Primeiro, as pessoas. Estamos falando de comprometimento, equipe qualificada e prioridade para a segurança. Cito também a nossa cultura de qualidade, inovação, tecnologia para produção de aços especiais, instalações e equipamentos. Temos um sistema de gestão consolidado, além de contar com nossa principal matéria-prima, o minério, produzida pela Mina do Andrade, que faz parte do grupo ArcelorMittal e está muito próxima à Usina. Destaco ainda o foco do cliente na tomada de decisão, buscando parcerias e relacionamentos de longo prazo.
Com uma das melhores plantas siderúrgicas da América Latina, como a ArcelorMittal capacita seus empregados com as últimas inovações do mercado siderúrgico?
Investimos muito em treinamentos técnicos, dentre eles mestrados, doutorados em parceria com universidades, além de trabalhos em conjunto com o Centro de Inovação ArcelorMittal Indústria (CIAMI), que é um convênio com o Centro de Inovação e Tecnologia do Senai Fiemg (CIT) e com centros de pesquisas da ArcelorMittal ao redor do mundo. Investimos também em treinamentos comportamentais através de um planejamento estruturado e contínuo considerando as principais necessidades de desenvolvimento dos empregados alinhadas ao nosso negócio. Isso inclui o que há de mais atual na siderurgia. Outro ponto que destaco é o estímulo à inovação. Temos programas internos que viabilizam o desenvolvimento de ideias inovadoras por parte de todos os empregados, criando esse ambiente de melhoria contínuo. Com a missão de conectar os resultados de hoje aos desafios de amanhã, a empresa trabalha para continuar liderando transformações na indústria e na sociedade.
A ArcelorMittal lançou neste ano um programa para os certificados “verde” para o aço. Como esse processo foi implantado na Usina de Monlevade?
Temos grupos multidisciplinares dentro do grupo ArcelorMittal dedicados ao tema e trabalhando com esse foco. Estamos acompanhando tudo o que está sendo estudado e implantado. Em se tratando de Brasil as oportunidades passam pelo uso de energias renováveis, maior reciclagem do aço, além da otimização de processos.
Quais as ações desenvolvidas pela Usina de Monlevade dentro do Programa de Diversidade e Inclusão?
O Programa de Diversidade e Inclusão completou dois anos de atividades e envolve todas as unidades do grupo. Atualmente, temos a participação ativa de cerca de 1,3 mil voluntários e aliados. O programa é baseado em grupos de afinidade nas seguintes dimensões da diversidade: LGBTI+, Equidade de Gênero, Pessoa Com Deficiência e Diversidade Racial. Os grupos trabalham propondo ações que abrangem toda a organização. Este ano foram realizadas ações importantes como o Censo LGBTI+ dentro da empresa e a parceria com a TransEmpregos que é o maior projeto de empregabilidade de pessoas trans do país. Nos demais grupos outras ações também estão sendo implantadas como a meta de 30% de mulheres trabalhando no grupo no país até 2030.
Falando nisso, quantas mulheres trabalham na Usina de Monlevade e qual é essa porcentagem no quadro atual de funcionários? O que pode ser feito para ampliar esse número?
A presença de mulheres na indústria vem crescendo nos últimos anos. Atualmente, dos cerca de 17 mil empregados da ArcelorMittal Brasil, 14% são mulheres. Mas, diferente de décadas atrás, hoje já temos mulheres em todas as áreas e funções da empresa. Estamos alinhados à meta do nosso grupo e já estamos priorizando a contratação de mulheres em vagas existentes e futuros processos seletivos. É fato que precisamos gerar mais oportunidades. Neste sentido, acabamos de lançar o programa Qualificar em parceria com Senai. A ideia é preparar as pessoas nas áreas de manutenção mecânica, elétrica e operação siderúrgica, gratuitamente, tornando-as aptas a concorrer a futuras vagas seja na ArcelorMittal Monlevade ou em outras indústrias. No processo seletivo do Qualificar também vamos priorizar as mulheres.
Desde a sua fundação, a Usina de Monlevade é referência em ações sociais. O que a empresa tem feito neste sentido, para ajudar a comunidade local onde está inserida?
Temos que ter como premissa que o primeiro benefício social é a empresa estar operando. Isso gera receita para a cidade, empregos e movimenta a economia local. Mas a ArcelorMittal sempre foi além. Por meio da Fundação ArcelorMittal mantemos um estreito relacionamento com a comunidade por meio de programas sociais nas áreas de Educação, Cultura, Promoção Social, Esporte e Saúde. Na pandemia, tivemos que adaptar algumas iniciativas, mas sem perder a relação de proximidade. Posso citar algumas iniciativas já consolidadas como o Acordes, o Esporte Cidadão, o Diversão em Cena, Cidadãos do Amanhã, entre outros. E recentemente trouxemos novidades como o projeto Moradores e o Fábrica de Graffiti. Cabe destacar também as doações que fazemos ao Fundo Municipal da Infância e ao Fundo do Idoso e o Programa de Educação Ambiental (PEA). Mas estamos sempre trabalhando com novidades e oportunidades alinhadas ao nosso negócio e a realidade dos municípios onde atuamos.
Como a Usina de Monlevade recebeu o projeto da Fábrica de Graffiti? Na sua opinião, qual foi o resultado?
Está sendo uma experiência interessante ver o ambiente industrial se tornando mais colorido, abrindo espaço para a arte. O resultado ficou sensacional e estamos vendo uma repercussão muito positiva. Além da pintura dos nossos muros, o projeto também promoveu oficinas em parceria com a Fundação Casa de Cultura para artistas monlevadenses.
Especialistas afirmam que a pandemia transformou as relações de trabalho, antecipou tendências e mudou a rotina de empresas e pessoas. Quais os impactos da pandemia na Usina de Monlevade? O que mudou e deve continuar?
A nossa rotina precisou ser totalmente adaptada desde o início da pandemia. Implantamos medidas preventivas e protetivas em todas as nossas áreas, definimos regras de convivência que valem para todos os que trabalham na empresa, fornecemos máscaras para 100% das pessoas, limitamos o uso de espaços coletivos, além de mantermos um cronograma permanente de sanitização de toda a área industrial e campanhas de conscientização. Estruturamos um robusto trabalho de monitoramento, testagem e cuidado com casos suspeitos. Todos os nossos empregados possuem acesso a programas de acompanhamento psicológico e telemedicina. Além de várias outras medidas. Enfim, nos tornamos mais distantes fisicamente, migramos reuniões para o ambiente virtual, trabalhamos remotamente quando possível, mas tudo isso para que possamos em breve retomar o mais próximo possível da normalidade.
O empresariado teve um papel muito importante nessa pandemia e a Usina agiu ativamente, com ações para o Hospital Margarida, por exemplo. Qual a visão da usina a respeito dessas ações?
É importante destacar que a pandemia desencadeou uma onda de solidariedade em todas as frentes, não só entre as empresas. Mas, de fato, a iniciativa privada teve um papel importante pelos investimentos sociais feitos, principalmente na doação de recursos, equipamentos e insumos para contribuir com as instituições de saúde. Isso em todo o país. Em Monlevade não foi diferente. Esse movimento aconteceu por meio das empresas, entidades, voluntários, poder público. Falando da ArcelorMittal, como já é de conhecimento, realizamos um investimento no ano passado de R$4 milhões na estruturação da ala exclusiva de atendimento a pacientes com Covid-19 no Hospital Margarida, com leitos completos de UTI, Enfermaria, além de equipamentos e insumos para seu funcionamento. Além disso, a Fundação ArcelorMittal ainda doou diretamente ao Hospital R$288 mil. Este ano, frente ao aumento do número de casos em março, promovemos novo apoio à casa de saúde bem como, mais recentemente, uma campanha para combate à fome.
Quais os desafios para os próximos anos?
O nosso desafio mais próximo, sem dúvidas, é colocar o Laminador 3 em operação com qualidade e segurança. Isso vai ser fundamental para que a nossa Usina se mantenha competitiva no mercado e se consolide cada vez mais como uma referência em qualidade do aço. O aspecto ambiental também será desafiador frente a importância do uso cada vez maior de energias renováveis. Em se tratando de pessoas, sem dúvida valorizar e promover ações em prol da diversidade, como a meta que colocamos de pelo menos 30% de mulheres. Além disso, precisamos continuar focados na segurança dos trabalhadores e na manutenção de uma relação respeitosa e de desenvolvimento conjunto com nossos stakeholders locais, entre eles a comunidade.
Que mensagem você deixa aos monlevadenses e aos empregados na chegada dos 86 anos?
Este ano a Usina de Monlevade faz 86 anos e a ArcelorMittal completa 100 anos das suas operações no Brasil. Somos uma empresa pioneira na siderurgia e Monlevade faz parte dessa construção de pequenas e grandes histórias no Brasil. Temos uma contribuição relevante para a sociedade por meio da geração de receita para o município, compra de materiais e serviços com fornecedores locais, geração de empregos não só em João Monlevade, mas na região, e investimentos em programas sociais. E, hoje, Monlevade é um polo regional se destacando em várias áreas como comércio, serviços e indústria. Ficamos orgulhosos em fazermos parte deste sucesso.
A Mina do Andrade, que pertence à ArcelorMittal, também completou no dia 7 de julho deste ano, 86 anos de operação. A produção da mina, localizada entre os municípios de Bela Vista de Minas, João Monlevade e Itabira, é toda voltada para o abastecimento exclusivo da Usina de João Monlevade, o que é um diferencial frente a outras siderúrgicas.
Além disso, a mina é uma referência em saúde e segurança dentro do Grupo ArcelorMittal, contando com 74 anos sem acidentes com mortes e 28 anos sem acidentes com perda de tempo (CPT). A qualidade dos equipamentos e da infraestrutura da unidade também são motivos para se comemorar, mas a gestão da produção com qualidade e segurança, a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade são norteadores do trabalho.
Ampliação
Recentemente, a planta passou por uma ampliação – premissa do Projeto Itabirito e licenciada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) –, que a tornou mais eficiente e aumentou seu tempo de vida útil até 2062. Foram investidos R$115,7 milhões em novas instalações que compreendem sistemas de peneiramento, britagem quaternária, concentração magnética, filtragem do concentrado e do rejeito.
O projeto transformará 30 milhões de toneladas empilhadas de itabirito em um concentrado de qualidade para a fabricação de aços longos produzidos na Usina. Com isso, vai liberar para recuperação ambiental, uma área de cerca de 40 hectares, atualmente, ocupada pelas pilhas de estocagem do minério.
A iniciativa também vai reaproveitar 75% da água usada no processo de beneficiamento, o que evita a construção de barragens de rejeitos (que não existem em Andrade, já que seu processo é feito a seco). “Com os investimentos na nova planta, o itabirito produzido pela Mina do Andrade passou por um processo de enriquecimento do teor de ferro, o que garante o padrão necessário à produção de aço de alta qualidade. Até então, o itabirito não tinha aplicação industrial na ArcelorMittal. Essa é mais uma contribuição da unidade para o desempenho da empresa no mercado”, afirma Wagner de Brito Barbosa, diretor geral ArcelorMittal Bioflorestas e Mineração.
De acordo com gerente geral de Operações, Antônio Augusto, existe um forte empenho de todos para garantir a eficiência, bem como a segurança no local. “Temos, na Mina do Andrade, uma cultura forte e sedimentada a respeito da segurança de todo o processo e de todos que estão trabalhando nele. É premissa termos um bom clima organizacional, com respeito às pessoas e reconhecimento pelo trabalho realizado, bem como uma gestão voltada para o ser humano e tudo o que diz respeito à sua integridade no âmbito profissional”, argumenta Augusto.